A POESIA E A RUA

Nós passamos por ela todos os dias, muitas vezes a citamos até como uma referencia, mas por mais incrível que pareça, quase não a notamos. Só vamos dar conta que não é ela, quando estamos meio perdidos. Que estranha essa relação não é mesmo. A importância que você atribui a ela seria a mesma de quem pergunta só por saber, onde você mora? Falar dela, só mesmo para situa-lo geograficamente, pois valor sentimental, quase não existe. Mas nem todos a consideram dessa forma. No cinema, por exemplo ela já ganhou ate uma musica especial, pois todas as vezes que ela aparecia em cena, não era uma aparição pura e simples, mereceria um prefixo musical, que o compositor Alfred Newman compôs e que acabou sendo usado em algumas produções,por mais incrível que isso possa parecer. Falei de compositor, teve outro que enalteceu as qualidades dela de forma a exaltar tradições, contudo, sem nenhuma conotação especifica do seu valor, exceto pelo fato dele falar na musica de uma determinada localidade, no caso estamos falando da musica dos irmãos Marcos e Paulo Sergio Valle , Pelas Ruas do Recife.....

Pelas ruas do Recife
(Marcos Vale – Paulo Sérgio Vale – Novelli)

Pelas ruas do Recife todo ano tem
Quatro dias de folia e alegria tem
Pra mostrar que frevo e animação
Marcam passo no compasso
Do mesmo cordão
Quem não dança bate palmas
Pra quem desfilar
Bate bumbo e bate-bate de maracujá
Tem maracatu e bumba meu boi
Quatro espadas no reizado todo mundo foi
Tem um corso entre cores e sombrinhas
La vem as pastorinhas o canto é geral
No clube a noite a primeira mascarada
Pode ser a namorada desse carnaval
La pras tantas o dia já nascendo
O frevo já morrendo e ninguém quer descansar
Mas no domingo pra satisfação do povo
Tudo começa de novo e o frevo vai voltar
Pelas ruas do Recife todo ano tem
Quatro dias de folia e alegria tem
Pra mostrar que frevo e animação
Marcam passo no compasso
Do mesmo cordão
Quem não dança bate palmas
Pra quem desfilar
Bate bumbo e bate-bate de maracujá
Tem maracatu e bumba meu boi
Quatro espadas no reizado todo mundo foi
Tem um corso entre cores e sombrinhas
La vem as pastorinhas o canto é geral
No clube a noite a primeira mascarada
Pode ser a namorada desse carnaval
La pras tantas o dia já nascendo
O frevo já morrendo e ninguém quer descansar
Mas no domingo pra satisfação do povo
Tudo começa de novo e o frevo vai voltar

Será que você já sabe do que nós estamos falando no programa de hoje? Saiba que este local do qual estamos falando, de uma forma ou de outra acaba reportado em versos, como de Adelaide Lessa em Casa, tempo-modulada...

Minha casa é tão pequena
que a porta cabe em tua mão.
No calo da palma. Ela cria
ao faminto esta magia:
acendo o cesto do pão.

Minha casa é tão pequena
que a porta cabe em meu olho.

No retrovisor da noite,
saudade desta magia:
fagulha de teu pernoite.

Vamos explicitar um pouco mais o objeto da nossa abordagem no programa de hoje, trazendo os versos do poeta portuguesa Mario Cesariny, que é considerado o mais importante representante da Escola surrealista, ele fala abertamente do tema do programa de hoje através dos versos de Rua do Ouro

 

Ai dele que tanto lutou e afinal
está tão só. Tão sòzinho. Chora.
Direcção da Companhia Tantos de Tal.
Cincoenta e três anos. Chove, lá fora.

Chora, porquê? Ora, chora.
Uma crise de nervos, coisa passageira.
É, talvez, pela mulher que o adora?
(A êle ou à carteira?)

Seis horas. Foi-se o pessoal.
O homem que venceu está sòzinho.
Mas reage:que diabo. Afinal...
E olha para o cofre cheínho.

Sim estou só ainda bem porque não? ele diz
batengo com os punhos na mesa.
Lutei e venci. Sou feliz
E bate com os punhos na mesa.

Seis e meia. Ó neurastenia
o homem que venceu está de borco
e sente uma grande agonia
que afinal é da carne de porco
que comeu no outro dia.

É da carne de porco ele diz
vendo a chuva que cai num saguão.
É da carne de porco. Sou feliz.
E ampara a cabeça com as mãos.

Durante toda a vida explorou o semelhante.
Por causa dele arruinaram-se uns cem.
Agora, tem medo. E o farsante
diz que é feliz diz que está muito bem.

Sim, reage. Que diabo. Terei medo?
E vê as horas no relógio vizinho.
Mas, ai, não é tarde nem cedo.
Ele, que venceu, está sòzinho.

Venceu quem? Venceu o quê? Venceu os outros
Os outros, os que o queriam vencer!
Arruinou-os, matou-os aos poucos.
Então não o queriam lá ver?

Sim, reage: Esta noite a Leonor
amanhã de manhã o Sàlemos
e depois? Ah o novo motor
veremos veremos veremos

Mas pouco do que diz tem sentido.
Tudo hoje lhe é vago uniforme miudinho.
O homem que venceu está vencido.
O dinheiro tapou-lhe o caminho.

Os filhos? esperam que êle morra.
A mulher? espera que êle morra.
O sóciuo? Pede a Deus que êle morra!
Só a Anita não quer que êle morra!

Ai, maldita carne, murmura
vendo a água que há no saguão.
Tinha demasiada gordura!
E veste o casaco e o gabão.

Passa os olhos pelo lenço. Acabou-se.
Vai sair. Talvez vá jantar?
É inverno. Lá fora, faz frio.

O homem que venceu matou-se
na margem mais escura do rio
ao volante dum belo Packard

Pra quem ainda não sabe de quem estamos falando, mais dica, você passeia por ela, toda vez que leva a sua cachorrinha passear. Eu falei cachorrinha, pois bem, então vamos trazer o poema do poetinha Vinicius de Moraes que se chama Cachorrinha..

Mas que amor de cachorrinha!
Mas que amor de cachorrinha!

Pode haver coisa no mundo
Mais branca, mais bonitinha
Do que a tua barriguinha
Crivada de mamiquinha?

Pode haver coisa no mundo
Mais travessa, mais tontinha
Que esse amor de cachorrinha
Quando vem fazer festinha
Remexendo a traseirinha?

Na caçada, quando tem muita gente transitando, quem tem pressa vai pedindo licença, para poder apressar o passo. É a sensação que nos dá os versos de Ledo Ivo no seu poema "A Passagem" :

"Que me deixem passar - eis o que peço
diante da porta ou diante do caminho.
E que ninguém me siga na passagem.
Não tenho companheiros de viagem
nem quero que ninguém fique ao meu lado.
Para passar,exijo estar sozinho,
somente de mim mesmo acompanhado.
Mas caso me proíbam de passar
por seu eu diferente ou indesejado
mesmo assim eu passarei.
Inventarei a porta e o caminho
e passarei sozinho".

Humberto de Campos nasceu na cidade de Miritiba, Maranhão, que hoje leva o seu nome Humberto de Campos, a ela rendeu suas homenagens através do poema Miritiba

 

É o que me lembra: uma soturna vila

olhando um rio sem vapor nem ponte;

Na água salobra, a canoada em fila...

Grandes redes ao sol, mangais defronte...

De um lado e de outro, fecha-se o horizonte...

Duas ruas somente... a água tranqüila...

Botos no prea-mar... A igreja... A fonte

E as grandes dunas claras onde o sol cintila.

Eu, com seis anos, não reflito, ou penso.

Põem-me no barco mais veleiro, e, a bordo,

Minha mãe, pela noite, agita um lenço...

Ao vir do sol, a água do mar se alteia.

Range o mastro... Depois... só me recordo

Deste doido lutar por terra alheia!

 

Um show em homenagem à memória de Paulo Leminski, poeta e escritor curitibano, inaugurou em 1992, o espaço cultural que leva o seu nome. É um imenso auditório ao ar livre, cercado por lagos, cascatas e mata de araucárias, com capacidade para até 30 mil pessoas. No passado, funcionou no local a Pedreira Municipal e a usina de asfalto.Fica na Rua João Gava, vamos apresentar então um poema de Paulo Leminsk que se chama Amor Bastante


quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

 

Mas afinal de contas, qual é o tema do programa de hoje mesmo ? Ainda não falamos sobre isso, bem então a gente não precisa se preocupar, pois os versos estão falando muito melhor, como os de Machado de Assis em Relíquia íntima como alguém mandando uma mensagem e a pessoa circulando pelas ruas até chegar ao endereço, vamos ouvir

 

Ilustríssimo, caro e velho amigo,
Saberás que, por um motivo urgente,
Na quinta-feira, nove do corrente,
Preciso muito de falar contigo.


E aproveitando o portador te digo,
Que nessa ocasião terás presente,
A esperada gravura de patente
Em que o Dante regressa do Inimigo.


Manda-me pois dizer pelo bombeiro
Se às três e meia te acharás postado
Junto à porta do Garnier livreiro:


Senão, escolhe outro lugar azado;
Mas dá logo a resposta ao mensageiro,
E continua a crer no teu Machado.

 

 

Com tanta gente boa desfilando seus versos no programa de hoje, não podemos nos esquecer o Millôr Fernandes que através de Gato ao Crepúsculo fez um Poeminha de louvor ao pior inimigo do cão. Vamos ouvir esses versos e imaginar como se o bichano estivesse passeando por uma rua qualquer....

 

Gato manso, branco,
Vadia pela casa,
Sensual, silencioso, sem função.
Gato raro, amarelado,
Feroz se o irritam,
Suficiente na caça à alimentação.
Gato preto, pressago,
Surgindo inesperado
Das esquinas da superstição.
Cai o sol sobre o mar.
E nas sombras de mais uma noite,
Enquanto no céu os aviões
Acendem experimentalmente suas luzes verde-vermelho-verde,
Terminam as diferenças raciais.
Da janela da tarde olho os banhistas tardos
Enquanto, junto ao muro do quintal,
Os gatos todos vão ficando pardos.

Como político Olegário Mariano trafegou por muitas ruas de muitas cidades, mas através da poesia também foxtrotou, puxa sem querer usei a expressão que ele emprega em Fulaninha, vamos ouvir esse poema

Foxtrotando pela rua
Vai Fulaninha, seminua,
Tem movimentos de onda do mar.
O corpo moço, a pele fresca,
Futurista, bataclanesca,
Chi! Eu gosto! Nem é bom falar...

Pisa a calçada, toc... toc...
No seu encalço vão a reboque
Peralvilhos, gênios do mal.
E ela nem liga... Continua
Foxtrotando pela rua...
Gentes, Que coisa mais fatal!

Figurino de dia cálido!
O seu semblante moreno-pálido
A mão de um gênio foi que compôs.
Como se chama? Vera? Estefânia?
Meu Luluzinho da Pomerânia,
Meu Luluzinho número 2!

Aonde vais, lindo vagalume?
— Vou ao Bazin comprar perfume...
Guerlain, Houbigant, Coty?
Todo o perfume é o mesmo, ardente,
E alucinante, e estuante, e quente,
Quando o perfume vem de ti.
— Meu bizarro João da Avenida!
Já ficou bom daquela ferida
Que lhe abriram no coração?
— Há muito tempo estou curado.
Por que falar-me do Passado?
E ela pôs os olhos no chão.

E dizer que tu foste... Perdoa...
— Pr'a que dizer? A lembrança é boa
— Lembrar é falta de educação.
— Mas a saudade purifica...
O sofrimento é o único bem que fica
Para a volúpia do perdão!

Rachel de Queiroz nasceu no dia 17 de novembro de 1910, na casa número 86 da Rua Senador Pompeo, em Fortaleza. Nos seus versos falava tanto da cidade como do campo, como aquele poema da moça que mandou buscar uma telha de vidro, vamos ouvir Telha de Vidro.

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,

sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

 

Outro dia leio no caderno imobiliário de um jornal carioca o anuncio sobre a venda de uma casa por 250 mil reais na Rua Raimundo Correia em Copacabana. Lembro então dos versos de Saudade de Raimundo Correia que não deixa de ter uma relação com o tema do nosso programa de hoje

Aqui outrora retumbaram hinos;

Muito coche real nestas calçadas

E nestas praças, hoje abandonadas,

Rodou por entre os ouropéis mais finos...

Arcos de flores, fachos purpurinos,

Trons festivais, bandeiras desfraldadas,

Girândolas, clarins, atropeladas

Legiões de povo, bimbalhar de sinos...

Tudo passou! Mas dessas arcarias

Negras, e desses torreões medonhos,

Alguém se assenta sobre as lájeas frias;

E em torno os olhos úmidos, tristonhos,

Espraia, e chora, como Jeremias,

Sobre a Jerusalém de tantos sonhos!...

 

 

O cronista olha pelas ruas e se inspira. Rubem Braga mostra do que é capaz AQUELA MULHER, vamos ouvir....

 

O médico me levou até o elevador.

Quando cheguei à rua

Sabia que já não estava condenado a morrer.

Mas as horas de perigo, de certeza da morte,

De preparação para a morte,

As horas da morte ainda batiam dentro de mim.

Nessas horas a vida recuara ante meus olhos,

Cheia

De suas fascinações, tristezas e ternuras,

Estava orgulhoso de mim mesmo.

De meu pensamento viril diante da morte,

Da força de meu ódio aos inimigos que eu pensara em matar antes de morrer.

Do amor, do grande e comovido amor

Com que eu me despedia em silência de vós, almas queridas,

Almas queridas a que jamais servi bem.

Ia pela rua, mas ainda ia a meu lado

A sombra sem terror mas inapelável

Da morte.

Foi então que passou a desconhecida mulher

Abençoada eternamente seja essa mulher!

Uma alta, bela, desconhecida mulher

Que andava com seu andar de desconhecida mansa

Seus finos cabelos negros brilhavam ao sol

E seus olhos eram claros como a vida que renascia.

No seu corpo havia a doce dignidade essencial

Que é a marca suprema da beleza na mulher.

Eu a fitei, eu detive os seus olhos com os meus,

Foi apenas um segundo.

Ela não desviou os seus,

Apenas continuou na sua marcha mansa

Não sentiu nos meus olhos a aflição deslumbrada

A ansiosa descoberta, a impressão de milagre

Nos meus olhos ressucitados que saudavam

E abençoavam, abençoavam ardentemente sua natureza de mulher.

Eu estava tão sólido em face da morte,

De minha morte, de minha obscura morte,

Estava tão sólido, firme, bem plantado e certo

Perante a morte – e agora

Era como se a vida como alta onda desabasse

Sobre mim, e num instante

Senti toda a sua força furiosa, o desespero, a beleza,

A ânsia que não tem fim, a sede, a dolorosa

Exaltação que sempre foi a vida para mim,

A tonteira cruel, a coragem, a promessa

O que ela me dá, o que tomo, o que roubo,

O que espero, e tudo, tudo o que eternamente desespero.

Senti-me fraco, miserável, diante da vida,

À mercê da sua força inelutável, da atração

Cruel com que me chama todo dia.

Senti a sua exasperante incerteza,

Senti num instante toda a sua longa, longa,

Mortificante melancolia.

Fazia sol na rua.

Dois homens pararam me olhando. Eu olhava

Longe – com meu olhar ressuscitado

Que de longe, muito longe, ainda

Abençoava aquela mulher.

 

Sérgio Milliet foi crítico de arte, mas como poeta falou de ruas e calçadas tanto de Paris como de São Paulo, cidade que amava profundamente e que reproduz no poema que leva o próprio nome da cidade

SÃO PAULO

 

Canto a cidade das neblinas
e dos viadutos
minha cidade
amante de futebol e vendedora de café
Os aventureiros bigodudos
como nas fitas da Paramount
o Friedenreich pé de anjo
e a bolsa de mercadorias
as chaminés parturientes do Brás
os quinze mil automóveis orgulhosos
no barulho ensurdecedor dos klaxons
e a cultura envernizada dos burgueses
os engraxates da Praça Antônio Prado
e o serviço telegráfico do "Estado"
a febre do dinheiro
as falências sírio-nacionais
a especulação sobre os terrenos
a politicagem e os politiqueiros
e a negra de pó de arroz
e até os bondes da Light
para o Tietê das regatas e dos bandeirantes
os homens dizem que tu és ingrata
e que devoras os teus próprios filhos...
Mas que linda madrasta tu és
toda vestida de jardins!
Minha cidade
Amo também teus plátanos nostálgicos

 

 

Falamos de Vinicius de Moraes e vamos encerrar o programa de hoje com um outro compositor, Torquato Neto. Ele que compôs letras musicadas por Gilberto Gil, Caetano Velosos, Edu Lobo, teve em 1973, a publicação póstuma do seu livro de poesias intitulado OS ULTIMOS DIAS DE PAUPÉRIA. Pois bem, no programa de hoje, cujo tema é a rua, nada melhor do que encerrarmos o programa falando dela, a rua, por meio dos versos de Torquato Neto

Toda rua tem seu curso
Tem seu leito de água clara
Por onde passa a memória
Lembrando histórias de um tempo
Que não acaba

De uma rua, de uma rua
Eu lembro agora
Que o tempo, ninguém mais
Ninguém mais canta
Muito embora de cirandas
(Oi, de cirandas)
E de meninos correndo
Atrás de bandas

Atrás de bandas que passavam
Como o rio Parnaíba
O rio manso
Passava no fim da rua
E molhava seus lajedos
Onde a noite refletia
O brilho manso
O tempo claro da lua

 

Ê, São João, ê, Pacatuba
Ê, rua do Barrocão
Ê, Parnaíba passando
Separando a minha rua
Das outras, do Maranhão

De longe pensando nela
Meu coração de menino
Bate forte como um sino
Que anuncia procissão

Ê, minha rua, meu povo
Ê, gente que mal nasceu
Das Dores, que morreu cedo
Luzia, que se perdeu
Macapreto, Zé Velhinho
Esse menino crescido
Que tem o peito ferido
Anda vivo, não morreu

Ê, Pacatuba
Meu tempo de brincar já foi-se embora
Ê, Parnaíba
Passando pela rua até agora
Agora por aqui estou com vontade
E eu volto pra matar esta saudade

 

Ê, São João, ê, Pacatuba
Ê, rua do Barrocão

 

<><><><><><><><><><><><><><><><>

<><><><><><><><><><><><><><><>

<><><><><><><><><><><><><>

<><><><><><><><><><><>

<><><><><><><><><>

<><><><><>

<><><><><>

<><><><><>

<><><><><>

<><><><><>

<><><><><>

<><><><><><><><><><><>

<><><><><><><><><>

<><><><><><><>

<><><><><>

<><><>

<><>

<>

 

O Jogral Qualquerlua agradece a sua participação em mais esta edição de

A POESIA NAS ASAS DO TEMPO , na certeza de que vagamos felizes por muitas ruas, todas permeadas de poesia.

Receba os cumprimentos de

Albino, Benício, Bilá, Dayse, Helaine, José Carlos, Luiza, Márcio, Maria Helena, Maria Inês, Mineo e Paulo, todos do

 

Jogral Qualquerlua

por amor à poesia.

Entre em contato conosco pelo e-mail

Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

e deixe sua mensagem.