Minha infância teve beira de rio, pés descalços,

brejo, mato, balão e festa junina.

Teve muito passarinho, arapuca e estilingue.

Cobra cascavel, jaracuçu, cobra coral

e a boazinha cobra-d’água.

 

 

Minha infância teve chuva com enxurrada,

relva molhada, sol e arco-íris.

Teve ruas de terra batida e vento com remoinho.

Leite gordo, pão com manteiga, banana

e tudo que é fruta do mato.

 

Minha infância teve bolinha de gude,

pião, papagaio, mocinho-bandido,

finca, pula-carniça, bafo e cabra-cega.

Teve língua-do-pê, bola de meia, pau-de-sebo,

rodeio, circo e matinê.

 

As cidades cresceram, as crianças também.

Asfalto, televisão, vídeo-game,

gangues, balas-perdidas, vida de condomínio...

Infância de tênis importado,

de aula de inglês, natação e luta marcial.

 

Se pudesse, traria minha infância de volta,

pra mostrar à infância de hoje

como era bom ser feliz sem histeria,

sem dinheiro, sem shopping center,

sem medos e sem tecnologia.