Olhando para o céu das seis horas

Colhi um raio de luz

(Foi num instante)

Me entrou pelos olhos e foi parar na boca

Aprisionei-o estufando as bochechas

Com cuidado, comecei a mastigá-lo

Lentamente a mastigá-lo...

Assim como quem mastiga um fiapo de carne

(Mas era um raio de luz das seis horas)

Aquilo foi se avolumando

Porque era energia pura

Que se transformava em alguma coisa

Mas continuava raio de luz

Delicadíssimo dentro da minha boca

Maleável  flexível  mastigável


Aí fui apertando entre a língua e o céu da boca

E girando a massa energética

(Que era luz)

Até obter uma bolinha desse tamanho

Consistente e (de sensação) homogênea

Depositei-a na palma da mão

E a fui esfregando em movimentos circulares

Como quem prepara bolinhos para fritura

Com capricho fui espichando a massinha

Ora de um lado, ora de outro

Até formar uma estrela de várias pontas

Uma estrela de luz

Mas uma estrela não podia ficar ali

Espetando as minhas humanas mãos

Então ascendeu ao céu

Indo se juntar a outras estrelas

Mas aquela era minha

Eu a fiz com saliva e ócio