Um ar de festa
(José Carlos da Silva)
(Finalista no ‘Conc. Nacional Ars Viva de Poesia Moderna’; Santos-SP/2003)
 
O momento, enfim, é chegado.
(Há um ar de festa)
A barreira do obscurantismo
está comprometida.
O que sempre foi um maciço
estremeceu,
já deixa passar a luz
e o meu olhar também.
Dissipará como névoa no ar
esse indesejável muro,
(eu juro)...
Desde menino sei de lugares
que só podia imaginar, não ir.
Enquanto isto, o estorvo
ficava a me propor:
“Destrua-me, ou esmago a tua vontade!”.
(Há um ar de festa)
Já não é só o meu olhar que passa.
Passo eu mesmo,
orgulhoso.
Se eu falo, me ouvem,
se ouço, compreendo.
A vontade prevaleceu.
Não haverá mais o estorvo
– aquele muro –
há, sim, um ar de festa,
(eu juro)...